Para uma não moda, um não desfile

fause haten

O mundo está do avesso e ninguém reparou? Aplicado à moda, avesso é sempre mais revelador do que o direito, oculta a qualidade da costura, o primor dos cortes, o detalhe, o preciosismo. O avesso de um desfile, no entanto, vira o não desfile. Pelo menos é o que quer fazer crer o estilista Fause Haten, que há inúmeras temporadas vem flertando com outras formas (?) de revelar suas coleções ao público que frequenta o São Paulo Fashion Week. Fause já cantou,  escondeu o rosto, fez performance, colocou bailarinos, criou intervenções e, na última tacada, trocou modelos por bonecos de marionete. Para o inverno 2014, que começa hoje no Parque Vila-Lobos, foi além. Promete fazer o não desfile. Montou, na FAAP, um ateliê/linha de montagem, para revelar como a coleção é feita (algo que pode ser muito útil para leigos, mas absolutamente desnecessário para os credenciados para a semana de moda). E, como se não bastasse, criou ainda um manual de como não fazer um desfile de moda (fazendo). Chegou por email. Vamos lá:

Primeira lição: Não faça um convite

Segunda lição: Informe a data e a hora, mas não informe o local (30 de outubro de 2013, às 10h30)

Terceira lição: Não monte uma “first row”, nem um “backstage”, nem um “pit” de fotógrafos e etc.

Quarta lição: Informe um ponto de encontro 1 hora antes do evento para quem se interessar pela experiência

Quinta lição: Conte com o inesperado. Trânsito, inundações, manifestações, etc. Mesmo que você não presencie o evento, isso fara parte. Essa será a sua experiência.

Encerra avisando que o “não desfile” é um desfile sim. Não sei vocês, mas eu fiquei confusa. Preguiça imensa disso tudo. Muito discurso, pouca costura.

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Sobre deborahbresser

Não, aqui ninguém verá o look do dia. Sou da escola em que jornalista não é notícia. Nem o que veste, muito menos a bolsa que carrega ou o sapatinho que usa para bater o pezinho no chão cada vez que é contrariado. De meninas mimadas, o mundo virtual está farto. Sim, há blogs... e blogs. Mas gosto mesmo é do conceito original, de um espaço formatado para a exposição de opiniões sem amarras. Ou de informações que possam ser úteis - ou inúteis, desde que divirtam. Sempre estive nas editorias de futilidades, mas sempre argumentei que se meus colegas de Esportes vão ver jogo de futebol e dizem que estão trabalhando, eu também posso ver desfiles... e estar trabalhando. Simples assim. Já ensaiei algumas vezes usar este espaço profissionalmente, mas acabo sendo engolida pelas circunstâncias. Agora, confesso que estou decidida a tocar esse projeto com mais seriedade. São 25 anos de profissão, já vi, ouvi e vivi coisas suficientes neste mundo das modas para poder dar alguns pitacos. E tomar umas pedradas, sem que fiquem nem arranhões. É isso. Aceito sugestões, dicas, dúvidas... vamos em frente.
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