Ministra da cultura abre os cofres do governo para desfile de Pedro Lourenço

pedro

Pedro Lourenço é o primeiro estilista brasileiro a conseguir aprovação, junto ao Ministério da Cultura, para captar recursos via Lei Rouanet, para realizar dois desfiles em Paris. Não é de hoje que o mercado de moda brasileiro vem tentando convencer os órgãos responsáveis de que moda é cultura e, como tal, pode e deve ser admitida como beneficiária da lei que garante incentivos fiscais aos apoiadores dos projetos. Mas como se trata de um assunto bastante polêmico, até agora não havia conquistado a simpatia de quem tem a chave do cofre.
No caso de Pedro, houve uma intervenção da ministra da Cultura, Marta Suplicy, que contrariou a decisão da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (Cnic). O projeto havia sido rejeitado pela Cnic, que decide quem pode ou não captar recursos via Lei Rouanet. O projeto entrou em discussão em junho e foi retirado da pauta. Voltou à plenária no dia 7, quando a Cnic decidiu pelo seu indeferimento. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, sete conselheiros votaram contra o projeto e sete se abstiveram. No dia 12, a empresa que propôs o incentivo – Disney Rezende, produtora que atua como consultora do ministério no setor de moda -, recorreu da decisão. Dois dias depois, a ministra reverteu a decisão da comissão e aprovou o projeto. O argumento? “É um extraordinário ‘soft power’ no imaginário de um Brasil glamouroso e atraente”. Ou seja, é uma forma eficiente de fortalecer a imagem do país no exterior a partir de bens imateriais.
Com este resultado, Pedro Lourenço poderá captar R$ 2,8 milhões via Lei Rouanet para mostrar suas criações na semana de moda de Paris em outubro e em março de 2014. Algumas questões inevitavelmente se impõem. Não é dinheiro demais para um único estilista fazer desfiles em Paris, para meia dúzia de afortunados? Será que não há, no mercado de moda, outras iniciativas que talvez mereçam um olhar assim, digamos, tão terno? O fato é que abriu-se um precedente para algo que se estava pleiteando há tempos. Não vale nem entrar no mérito se moda é ou não uma expressão cultural. Isso é óbvio. O que pode gerar desconforto é o apoio a uma empresa privada, que será a única a levar vantagem nisso.

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Sobre deborahbresser

Não, aqui ninguém verá o look do dia. Sou da escola em que jornalista não é notícia. Nem o que veste, muito menos a bolsa que carrega ou o sapatinho que usa para bater o pezinho no chão cada vez que é contrariado. De meninas mimadas, o mundo virtual está farto. Sim, há blogs... e blogs. Mas gosto mesmo é do conceito original, de um espaço formatado para a exposição de opiniões sem amarras. Ou de informações que possam ser úteis - ou inúteis, desde que divirtam. Sempre estive nas editorias de futilidades, mas sempre argumentei que se meus colegas de Esportes vão ver jogo de futebol e dizem que estão trabalhando, eu também posso ver desfiles... e estar trabalhando. Simples assim. Já ensaiei algumas vezes usar este espaço profissionalmente, mas acabo sendo engolida pelas circunstâncias. Agora, confesso que estou decidida a tocar esse projeto com mais seriedade. São 25 anos de profissão, já vi, ouvi e vivi coisas suficientes neste mundo das modas para poder dar alguns pitacos. E tomar umas pedradas, sem que fiquem nem arranhões. É isso. Aceito sugestões, dicas, dúvidas... vamos em frente.
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