Alta costura virou prêt-à-porter que virou fast fashion…

dior e chanel

Nestes dias de semana de alta costura em Paris, as notícias e imagens que chegam têm embrulhado o estômago de muita gente fina, elegante e sincera. A moda é um mundinho de contradições, disso já sabemos. Quer que modelos não sofram de anorexia, mas exige que sejam raquíticas, senão não vão ficar bem no vestido. E quem ousa aparecer com celulite, vixe, é apedrejada em passarela pública. Também vive em conflito com o que deseja ver nos desfiles. Se o que aparece é uma modinha comercial, descem o cacete, porque queriam ver algo mais autoral. Quando a esquisitice dá o tom, ah, não, cadê a roupa que todos vão poder usar? Pense então no choque diante de uma coleção de alta costura – veja bem, ALTA COSTURA – como a mostrada por Raf Simons na Dior. Desde quando aquilo ali é alta costura? Até o senhor Karl Lagerfeld, quem diria, fez um bocado de peças possíveis em seu desfile para a Chanel. Uns falam em rejuvenescimento desse mercado de luxo, outros vêem apenas um medo danado de não ter mais compradores para o teatro criativo e louco que só naquele cenário era permitido. Mas é aquilo… em tempos em que as coleções de prêt-à-porter se apresentam como as que já estão nas araras das fast fashion, e Saint Laurent está aí para comprovar, com seus looks à la H&M, a alta costura parece descer um degrau e flertar com o prêt-à-porter. Resta em aberto o espaço do sonho na moda. Armani Privé, até onde vimos, deu uma passadinha pelo que a gente costumava entender como alta costura. Mas é bom ficar de olho. Nada será como antes, amanhã…

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Sobre deborahbresser

Não, aqui ninguém verá o look do dia. Sou da escola em que jornalista não é notícia. Nem o que veste, muito menos a bolsa que carrega ou o sapatinho que usa para bater o pezinho no chão cada vez que é contrariado. De meninas mimadas, o mundo virtual está farto. Sim, há blogs... e blogs. Mas gosto mesmo é do conceito original, de um espaço formatado para a exposição de opiniões sem amarras. Ou de informações que possam ser úteis - ou inúteis, desde que divirtam. Sempre estive nas editorias de futilidades, mas sempre argumentei que se meus colegas de Esportes vão ver jogo de futebol e dizem que estão trabalhando, eu também posso ver desfiles... e estar trabalhando. Simples assim. Já ensaiei algumas vezes usar este espaço profissionalmente, mas acabo sendo engolida pelas circunstâncias. Agora, confesso que estou decidida a tocar esse projeto com mais seriedade. São 25 anos de profissão, já vi, ouvi e vivi coisas suficientes neste mundo das modas para poder dar alguns pitacos. E tomar umas pedradas, sem que fiquem nem arranhões. É isso. Aceito sugestões, dicas, dúvidas... vamos em frente.
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