Um line up enxuto para tempos bicudos

Um só bureau para todas as ideias...

Um só bureau para todas as ideias…

Uma semana de trabalho normal. Em se tratando da semana do São Paulo Fashion Week, a perspectiva indica uma mudança e tanto. Com line up enxuto, sem alguns dos desfiles mais esperados da temporada, como Reinaldo Lourenço, Gloria Coelho e André Lima, a cobertura do evento já não causa tanto alvoroço nas redações. Pouco oba oba, patrocinadores ressabiados e marcas ainda tentando se adequar ao novo calendário de lançamentos refletem os tempos bicudos pelos quais passa a moda, não apenas no Brasil. A engrenagem que justifica os desfiles parece estar enferrujando. Quando até um Saint Laurent mostra peças iguais às da H&M, como bem observou Costanza Pascolato em seu novíssimo (e esperado) blog, é sinal de que estão todos submetidos aos mesmos bureaux de tendências (como disse Julia Petit, minha chefa no Petiscos), que, por sua vez, bebem nas mesmas agências de  coolhunting, e saem todos embriagados de uma vanguarda que está morta antes de nascer. É urgente repensar a estrutura, massacrada pela rapidez do fast fashion, acharcada pelo preço da liquidação, e zonza, tentando localizar o consumidor perdido. É louvável a tentativa de adquação dos lançamentos nacionais frente ao resto do mundo, mas parece óbvio que não se muda um esquema de produção na canetada. Atropelados pelo calendário, sem fôlego financeiro suficiente, os autorais sucumbem. Esperamos por tempos melhores, sempre. Quem acompanha essa batalha desde o começo sabe que nunca foi fácil. A moda é serpente traiçoeira, um mercado que não se banca e não se ajuda. Resta a torcida para que o evento retome sua importância e o lugar de destaque merecidos. Até lá, vamos conferir o que há de novo no front. De segunda a sexta, em horário quase comercial, de dedos cruzados por alguma imagem de moda que possa nos emocionar. O resto é showroom.

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Sobre deborahbresser

Não, aqui ninguém verá o look do dia. Sou da escola em que jornalista não é notícia. Nem o que veste, muito menos a bolsa que carrega ou o sapatinho que usa para bater o pezinho no chão cada vez que é contrariado. De meninas mimadas, o mundo virtual está farto. Sim, há blogs... e blogs. Mas gosto mesmo é do conceito original, de um espaço formatado para a exposição de opiniões sem amarras. Ou de informações que possam ser úteis - ou inúteis, desde que divirtam. Sempre estive nas editorias de futilidades, mas sempre argumentei que se meus colegas de Esportes vão ver jogo de futebol e dizem que estão trabalhando, eu também posso ver desfiles... e estar trabalhando. Simples assim. Já ensaiei algumas vezes usar este espaço profissionalmente, mas acabo sendo engolida pelas circunstâncias. Agora, confesso que estou decidida a tocar esse projeto com mais seriedade. São 25 anos de profissão, já vi, ouvi e vivi coisas suficientes neste mundo das modas para poder dar alguns pitacos. E tomar umas pedradas, sem que fiquem nem arranhões. É isso. Aceito sugestões, dicas, dúvidas... vamos em frente.
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5 respostas para Um line up enxuto para tempos bicudos

  1. walter rodrigues disse:

    Nossa me deu um frio na barriga……mas é tudo verdade!!!

  2. Voltamos a ditadura?

    A verdade é que a moda brasileira vive seu pior momento.
    A mídia só dá atenção as grandes marcas, nomes já consolidados e marcas internacionais, os autorais tem tão pouco espaço!
    Os melhores fornecedores do mercado fecharam portas ou perderam a qualidade para fazer parte deste momento econômico patético e falido americano onde quem tem dinheiro tem poder!
    Apesar de termos reputação de “criativos” estamos sustentando economias falidas, comprando amostras e desenvolvendo replicas idênticas.
    Isso sucateia o mercado! E toda cadeia produtiva!
    Só temos duas opções de produtos no mercado: O barato e o importado!
    Onde está a liberdade de expressão, onde está o apoio do governo e o suporte da mídia?
    Desculpem tenho 16 anos de Jeanswear, desenvolvi peças para Alexandre Herchcovitch, Dudu Bertholini, Rita Comparato, Gisele Nasser, trabalhei em todas as grandes marcas do mercado nacional e internacional.
    Me dedico a trazer novos conceitos para a indústria, desenvolvo peças para que as pessoas possam sonhar.
    Mesmo assim só vou conseguir um credito quando colocar alguma namorada de jogador de futebol ou as panicats usando meus produtos.
    Sem palavras!

  3. Olá

    Me chamo Aldeneide. Sou formada em moda e tenho um blog de moda rsrsr. Eu ainda não atuo na área e, sinceramente , acho que o mercado de moda aqui está muito complicado ! Agora que passou aquele frisson provocado pelo auge da Gisele Bündchen no mundo da moda e a consequente fama do Brasil como produtor de biquinis e jeans, o nosso mercado está em baixa. Caíram nossas exportações de roupas, e as importações dos produtos made in China só tem aumentado. Nenhum incentivo direto do governo para confecções nacionais, além da falta de oportunidades para os recém-formados em moda ( seja em cursos técnicos ou faculdades ) … Agora ter estudado na Santa Marcelina ou em alguma faculdade já não faz tanta diferença ! A dureza pra entrar no mercado está em todas as camadas sociais .
    Precisam haver investimentos na indústria da moda como um todo, nos profissionais com planos de carreira, pois depois que a “moda virou moda” por aqui, a concorrência por vagas aumentou e os salários caíram drasticamente ( resultado da desvalorização dos profissionais da área ) . Um assistente de estilo (graduado), por exemplo, que trabalha de 8 a 10 horas diárias pode ganhar menos do que uma vendedora, uma babá, porteiro etc … Essa é a triste realidade da nossa moda, que copia as tendências, mas não investe na infra-estrutura e valorização dos profissionais !

    A respeito dos blogs, não concordo que todos sejam feitos por meninas mimadas. Tem blogs de conteúdo bom e ruim. Isso depende … Não dá pra generalizar. Não sou formada em jornalismo, mas em moda. Amo de paixão a moda e gosto de escrever sobre isso. Não faço pra me aparecer, mas porque realmente amo a moda !

    Abçs !

  4. Eva Coutinho disse:

    A verdade é q a moda brasileira nunca “foi”, sempre “tentou ser” com base na moda internacional. E, agora que a moda no mundo todo passa pela mesma crise de identidade, todo o mercado está perdido, patinando nos próprios ideais.

  5. Ricardo disse:

    É uma constante troca de criatividade e inovação por consumo imediato. O prazo de validade está cada vez menor; Inês é morta.
    DB, gostaria de conversar sobre um projeto pessoal, se puder, favor entrar em contato.
    Grato

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